Descansos

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Barrinha, Parque Nacional da Tijuca.

Barrinha, Parque Nacional da Tijuca.

Quem já escalou uma parede vertical ou negativa sabe o quanto o antebraço cansa, ficando duro, ou “tijolado”, como se diz no jargão dos escaladores. Isto acontece principalmente quando se está escalando próximo do seu limite. Chega-se a um ponto em que a mão do escalador não consegue mais fechar com a força necessária para mantê-lo na parede. Por mais que se tente, o braço não responde e acaba-se caindo.

Retardar o máximo chegar a esse ponto de fadiga é uma busca constante de quem gosta de escalar próximo do limite. Para isso, além de treinar a técnica, para se mover de maneira eficiente, e a força, é preciso também saber descansar no meio da via. Mesmo escaladores de ponta precisam descansar no meio de uma escalada difícil. Descansar deve fazer parte da sua estratégia para escalar melhor.

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Ao parar para descansar movimente os braços para oxigenar os músculos.

Um dos princípios básicos para não gastar energia desnecessariamente é manter os braços esticados sempre que se estiver parado, procurando pela próxima agarra. Assim, o peso do corpo fica em parte sobre os ossos e não somente nos músculos. Faça o teste em uma barra, anote o tempo que você fica pendurado com os dois braços esticados e depois compare com o tempo obtido usando os dois braços dobrados.

Muito importante também é não apertar as agarras com força em excesso. Deve-se, pelo contrário, usar a força mínima necessária. É preciso relaxar e não ficar tenso demais com medo da queda ou preocupado em encadear a via. Outra dica é respirar normalmente, sem prender a respiração. Aproveite os descansos para respirar fundo e oxigenar o organismo.

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Descansando com os joelhos entalados.

Enquanto estiver escalando procure por lugares onde você possa descansar, mesmo que seja no meio de um negativo. Pode ser uma agarra de pé, onde você consiga soltar as mãos, ou uma agarra de mão, que lhe permita balançar o outro braço para baixo, ao lado do corpo. Trocar e balançar as mãos dá aos músculos sangue novo e uma sobrevida, aumentando as suas chances de fazer as próximas passadas. O tempo usado para relaxar cada mão vai depender do seu condicionamento, do quanto está tijolado no momento e do tamanho da agarra.

Lembra o teste de marcar o tempo que se consegue ficar pendurado com os braços esticados e depois com os braços dobrados? Experimente agora marcar o tempo ficando com ambos os braços esticados e depois tomar o tempo alternando os braços com trocas de mãos. Veja a diferença.

Até entalando os joelhos é possível descansar. Às vezes é possível soltar as duas mãos, mesmo estando no meio de um negativo. É o que acontece, por exemplo, na via Zona Morta, no Campo Escola 2000, e na via Filezão, na Barrinha, ambas no Rio de Janeiro. Assim você consegue não só recuperar a energia como também ter as mãos livres para realizar o próximo movimento.

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Texto extraído do livro Escale Melhor e com Mais Segurança.

Descansar é uma arte, seja entalando o joelho ou com as pernas bem abertas, ou até usando (literalmente!) a cabeça, tudo é possível. E você ainda pode inventar a sua maneira particular de descansar enquanto escala.

Tão importante quanto descansar é escalar com ritmo. Quando estiver em uma via difícil, o escalador deve olhar adiante e analisar as próximas passadas. É importante planejar a escalada prevendo paradas regulares para descansar, e fazendo os lances difíceis com decisão, sem perda de tempo. Nos trechos mais fáceis, é melhor diminuir o ritmo, procurando por descansos e deixando a respiração voltar ao normal. Usar de tática também faz parte do jogo.

Reprodução de fotos, desenhos e textos, somente com autorização prévia.

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