A Múmia da Gallotti

18 fev, 2016 | Relatos

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Patrick White na segunda enfiada da Gallotti. Foto arquivo CEC/Ivan Calou.

Patrick White na segunda enfiada da Gallotti. Foto arquivo CEC/Ivan Calou.

Dois anos após a inauguração do CEPI em 1952, foi finalizada a quarta via para o cume do Pão de Açúcar, a Chaminé Gallotti, no Totem, no lado oposto de onde se encontra a Chaminé Stop. Desenhada num intrincado sistema de fendas, formada por uma sucessão de platôs, chaminés estreitas, entalamentos de corpo e oposições, a Gallotti foi conquistada utilizando-se 42 grampos por cinco escaladores do Clube Excursionista Carioca. São eles: Tadeusz Hollup, Antônio Marcos de Oliveira e Ricardo Menescal, juntando-se posteriormente ao grupo Patrick White e Laércio Martins.

A Múmia da Gallotti. Arquivo CEC/Ivan Calou.

A Múmia da Gallotti. Arquivo CEC/Ivan Calou.

A história desta longa via contou com um episódio insólito e sinistro. Segundo nos informou Tadeusz Hollup, tudo começou na primeira caminhada que fizeram para encontrar um possível início para a via, quando ele encontrou um sapato e, em tom de brincadeira, disse: “Acho que iremos encontrar o dono desse sapato”. Dito e feito, era setembro de 1949, estavam conquistando o segundo lance da via e encontraram um cadáver entalado pela garganta em uma fenda e descalço.

O escalador que guiava aquele lance ainda deu segurança para que seu participante chegasse até ele.

A Múmia da Gallotti. Arquivo CEC/Ivan Calou.

A Múmia da Gallotti. Arquivo CEC/Ivan Calou.

Em um primeiro momento pensaram ser o cadáver de uma mulher devido ao longo cabelo, porém depois repararam que havia barba e portanto seria de um homem. Os dois resolveram descer e chamar a polícia. No mesmo dia comunicaram o caso na delegacia de Botafogo e combinaram o resgate do corpo para o dia seguinte. “Durante a noite e madrugada recebi alguns repórteres que queriam saber da múmia”, conta Tadeusz.

Conquistadores da Gallotti: Patrick White, Laércio Martins, Ricardo Menescal e Tadeusz Hollup. Arquivo CEC/Ivan Calou.

Conquistadores da Gallotti: Patrick White, Laércio Martins, Ricardo Menescal e Tadeusz Hollup. Arquivo CEC/Ivan Calou.

Na década de 40, ainda não havia a pista Cláudio Coutinho e os escaladores tiveram um pouco de trabalho para levar os bombeiros, o legista, o delegado e repórteres à base da via. O corpo, que deveria estar ali há vários meses, foi descido pelos próprios escaladores com uma corda. “Era esqueleto puro, apenas com a pele ressecada por cima”, lembra Tadeusz. Segundo o legista, a pessoa era um homem, mas não foi possível identificá-lo. Mesmo com as fotos publicadas nos jornais, ninguém se manifestou. Assim o corpo deste homem ficou conhecido como a Múmia da Gallotti. Ele não acha possível que uma pessoa pudesse cair do cume e parar naquela posição na chaminé, logo no início da via. Portanto o mistério perdura…

Um fato curioso é que havia uma favela entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar, virada para o lado de onde está hoje a Pista Cláudio Coutinho. Esta favela foi removida posteriormente pelos militares, pois estava alastrando-se e começava a avançar para o cume do Morro da Urca.

Saiba mais no Guia de Escaladas da Urca.

Texto: Flavio e Cintia Daflon.

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