Montar uma parada equalizada é uma boa maneira de ficar ancorado a duas ou mais peças, e ainda repartir a carga entre elas. Se, por algum motivo, uma das peças falhar, você ainda estará preso a outra. O triângulo de forças é uma forma simples e segura de se montar uma parada equalizada. São necessários dois mosquetões simples, um de rosca do tipo pêra e uma fita tubular, em geral 60 a 120cm são suficientes. Os mosquetões simples são clipados nos grampos e a fita, nos mosquetões. Eles podem ser simples porque, quando a parada estiver montada, a base do sistema, será o mosquetão pêra de rosca, nesta situação também chamado de mosquetão mãe ou base, como alguns preferem. De qualquer maneira, se não se sentir suficientemente seguro, o escalador pode substituí-los por mosquetões de rosca.

É muito importante fazer uma voltinha, torcendo um dos lados da fita. Esta volta garante que, caso um dos pontos de ancoragem se solte, o mosquetão pêra (mãe) continue preso à fita e ao outro ponto de ancoragem. Repare que o mãe pode correr para um lado e para o outro, que mesmo assim a fita continua transmitindo a carga para os dois grampos.
Com o triângulo de forças pronto, vamos imaginar uma situação: o guia leva uma queda de fator dois e um dos grampos, ou móveis, se solta. Será apenas um grande susto, já que o mãe (o mosquetão pêra de rosca) irá deslizar pela fita e parar ao final dela. Porém, este deslizamento, dependendo do tamanho da fita e da distância entre os grampos, pode gerar um forte impacto na ancoragem que restou, o que é indesejável. Ocorrerá inclusive um choque entre o mãe e o mosquetão simples que estava preso na peça que se soltou.
Para diminuir este impacto, basta bloquear com um nó simples o triângulo de forças, daí o termo triângulo de forças bloqueado. Pode-se optar por bloquear apenas um lado quando, por exemplo, só uma das peças não está confiável, ou os dois lados.
Neste caso, é bom ter uma fita grande (de pelo menos 120cm), por causa do ângulo formado entre os dois lados do triângulo de forças, que é outro fator que deve ser levado em consideração. Este ângulo, idealmente, nunca deve exceder 60 graus (ver quadro).
Paradas equalizadas?!
Quando se equaliza dois grampos e se prende no ponto central, o escalador deve prestar atenção ao ângulo formado entre as fitas. Se este ângulo for de 120 graus, por exemplo, e o escalador jogar 100 quilos no ponto central, cada grampo estará segurando 100 quilos! Ou seja, de nada estará adiantando a equalização, já que ela tem por objetivo distribuir o peso entre os grampos. Um ângulo de até 60 graus é aceitável, acima disso deve-se reduzi-lo usando-se uma fita mais longa.
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