Quando estiver guiando pense também numa possível queda. Não para ficar mais nervoso, mas para prevenir chocar-se contra um platô, por exemplo. Quando o guia cai, o tamanho da queda não é só duas vezes a distância que o separa do último grampo, podendo chegar a três vezes esta distância, por causa da elasticidade e da folga da corda.
Se você acha que tem chance de aterrissar num platô, peça ao participante que fique atento e não deixe folga excessiva na corda. Isso vale também para os primeiros grampos de algumas vias. Se você cair pouco antes do segundo grampo e seu parceiro tiver deixado muita folga na corda, pode acontecer de você ir direto para o chão. Em algumas situações, mesmo que você caia chegando ao terceiro grampo, também pode bater no chão devido o excesso de corda. Fique atento e explique a situação para o seu companheiro. Outra coisa importante é conhecer o seu parceiro de escalada, pois muitos dos casos de pé torcido em quedas de escaladores são causados por erro de quem dá segurança.
Cuidado na hora de costurar a corda no grampo. Cair com a corda na mão, ou seja, momentos antes de fazer a costura, geralmente termina numa queda enorme, porque há uma grande folga na corda e, provavelmente também, no freio do participante que dá segurança. Para evitar quedas assim, deve-se subir um pouco mais, até o baudrier ficar na altura do grampo. Neste momento, consegue-se clipar a corda no grampo sem que praticamente haja folga na corda. É preciso avaliar cada lance, porque nem sempre é fácil fazer isso.
Uma boa forma de treinar quedas sem se machucar é em top rope. Comece com a corda pouco frouxa e vá dando mais corda aos poucos. Use o bom senso e escolha um local com uma boa ancoragem, longe do chão ou de algum platô. Caia afastado da parede e, se ela for muito positiva, caminhe para trás até a corda travá-lo.
Também é importante para o escalador saber desescalar, pois é algo de que vai precisar quando errar a via ou quiser voltar para passar um determinado lance de outra maneira. Cada metro desescalado representa dois metros a menos de queda. Como qualquer fundamento da escalada, é possível treinar a desescalada, de preferência em top rope e com a corda frouxa.
Quando a proteção for boa e estiver próxima, e a queda for limpa, sem obstáculos no caminho, como em uma boa via esportiva, o escalador deve ir com tudo e escalar com vontade, sem parar. Ficar pensando demais na queda não vai ajudar muito, pois se não há risco de se machucar, deve-se arriscar. Escale como senão estivesse guiando, vá com raça. Muitos lances só são ultrapassados assim, com força de vontade.
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