No sábado dia 4/12/10 o escalador Guilherme Silva teve uma queda na via K2, no Corcovado, justamente nolance do Palavão e acabou com uma fratura exposta no pé. É recomendado que se utilize móveis neste lance.
Guilherme usou mas a peça saiu na queda. Veja o relato do escalador sobre o acidente e uma dica do
Flavio Daflon, guia da Companhia da Escalada e autor do Guia de Escaladas da Floresta da Tijuca.
"Povo da montanha
Levei uma vaca no lance do palavrão sábado à tarde. Era a quarta vez que eu entrava ali esse ano. Das outras vezes nunca tinha protegido, mas uma vez fui alertado que ali seco é bem diferente de quando
molhado. E as nuvens estavam molhando a via quando passamos. Entrei no lance e tive dificuldade de proteger numas fendinhas rasas, acabei usando um microfriend que não segurou. Estávamos com muitas peças porque fizemos o primeiro esticão em móvel e queríamos conhecer a variante, o que foi bem divertido.
Quando caí, bati forte com o pé no platô e fui jogado pra trás. Capacete e mochila me protegeram costas, pescoço e cabeca. O único machucado foi no pé. E feio. Fiquei quase um curupira, o pé saiu do lugar e girou uns 90 graus pra dentro. Quase não teve sangramento e ao invés de dor senti dormência.
Depois de dar uma olhada geral no corpo e constatar que precisava de resgate ligamos para Luchesi e Gabriel, ambos do CEL, e pedi socorro. Gabriel é tenente dos bombeiros e me orientou a ligar também para os bombeiros, o que fiz.. Claudney, meu parceiro de cordada, me ajudou muito ali me deixando o mais confortável possível, checando o baudrier para evitar compressões, me aliviando do peso excessivo, e me deu uns analgésicos e água. Coloquei o anorak antes de sentir frio e esperamos. Os bombeiros retornaram a ligação para buscar mais informações. Pouco tempo depois Esther Capela me ligou perguntando sobre a situação e dizendo que os bombeiros já estavam chegando no parque.
Hora e meia depois do acidente chegam rapelando Hans, Luchesi e Gabriel, com duas cordas. Gabriel retirou minha sapatilha e montou uma atadura. Descemos em rapel assistido. Um escalador abria o rapel e descíamos em seguida. Outro escalador limpava. Repetimos isso duas vezes, com corda dupla, sendo que no último rapel uma terceira corda foi fixada para servir de guia, evitando o pêndulo. Eu estava com uma fita no ombro, uma solteira no baudrier e uma fita na perna do pé machucado. Desci entre a parede e o Gabriel, com o pé esquerdo protegendo o direito.
Ao chegar na base estava a Esther e uma equipe dos bombeiros, que me puseram na prancha após avaliação do enfermeiro. Logo em seguida vi rostos conhecidos, como o do Felipe Edney, Flavio Leone, Edu RC. O caminho pela trilha foi árduo e as pessoas foram guerreiras. Algum tempo depois chegamos ao fim da trilha, onde a ambulância dos bombeiros me aguardava. Vi outros rostos conhecidos, como Veo e Paulo Ney.
Resultado: fratura exposta com luxação. Já recolocaram meu pé no lugar, mas a cirurgia vai precisar aguardar o pé desinchar, o que deve ocorrer lá pra terça-feira. Estou com algumas fraturas no tornozelo.
Quero agradecer muito a todo mundo que apareceu lá pra ajudar e pra todo mundo que ajudou de outra forma, como telefonando pra informar ou pedir ajuda pros outros, ou ainda pra me oferecer ajuda, como foi o caso do Blokinho. É muito bom ter amigos e é muito bom ser parte de uma comunidade tão colaborativa como essa galera do montanhismo carioca.
Guilherme Silva"
Flavio Daflon da Companhia da Escalada e autor do Guia de Escaladas da Floresta da Tijuca esteve nesta mesma via no domingo dia 21 de novembro com um aluno do curso de guia de cordadada. Veja o que ele escreveu:
"...fui na K2 no domingo 21/11 com o Leonardo Barros Leite. Ele está fazendo um curso de guia de cordada e guiou toda a via. No lance do palavrão, pra evitar que ele caísse no platô, eu coloquei duas peças, um stopper BD 4 e um camalot .5. Não deu outra, ele caiu, mas o camalot segurou, o stopper que estava um palmo abaixo nem foi solicitado. O Leonardo ainda ficou relativamente longe do platô. Depois voltou e mandou o lance. Tinha levado poucas peças, só para o palavrão, mas acredito que ainda dê para colocar outras, além do stopper e do .5 que mencionei acima. Quando voltar lá vou experimentar e passo para todos os números que considerar seguros. Quero indicá-los também na próxima edição do guia da floresta.
Flavio Daflon
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