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Veja aqui as atualizações da 4º edição do Guia de Escaladas da Urca.
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Conteúdo da 4º edição do Guia de Escaladas da Urca
   

Introdução
Nesta publicação estão citadas 315 vias de escalada, e mais de 130 boulders, distribuídos no Morro da Babilônia, Morro da Urca, Pão de Açúcar, Parede dos Ácidos, Pedra do Urubu e arredores. Estes formam a área de escalada em rocha da Urca, bairro situado na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro.
Nosso objetivo é que qualquer escalador, mesmo aquele que nunca esteve no local, consiga através das fotos, mapas e croquis, localizar as vias expostas neste guia e, através da representação gráfica e da descrição, possa conhecer o equipamento necessário para escalá-las e as dificuldades que irá encontrar. Nosso compromisso é também resgatar a história da escalada na Urca, o mais conhecido e tradicional centro de escaladas do Brasil. História essa que começa em 1817 com o relato da primeira ascenção ao cume do Pão de Açúcar.

Guias como este são comuns nos centros de escalada mais frequentados do mundo. No Estado do Rio de Janeiro, o Guia de Escaladas da Urca foi pioneiro nesta modalidade de publicação, tendo sua primeira edição em 1996. Anteriormente, tínhamos como marco duas importantes referências: a lista de conquistas conhecidas pela antiga Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro (janeiro de 1975), e o Catálogo de Escaladas do Estado do Rio de Janeiro (André Ilha e Lúcia Duarte, 1984).
Desde a primeira edição deste livro, outras publicações foram lançadas no Estado: o Guia de Escalada dos Três Picos (1998), o Guia de Escaladas de Guaratiba (1999), o Guia de Escaladas do Itatiaia (2000 e 2007), o Guia de Escalada da Pedra da Catarina - Nova Friburgo (2000), o Guia de Escaladas da Floresta da Tijuca (2004), o Guia de Escaladas de Petrópolis (2004), o Guia de Escaladas do Grajaú (2005) e o Guia de Escaladas de Niterói (2008). A segunda edição do Guia da Urca foi lançada em 1998 e a terceira em 2002.
Esta quarta edição traz algumas modificações em comparação à anterior, principalmente com relação ao detalhamento e desenho dos croquis. Atualizações serão publicadas no site da Companhia da Escalada: www.companhiadaescalada.com.br. Se você tiver alguma sugestão por favor escreva para flaviodaflon@companhiadaescalada.com.br. Encorajamos e agradecemos o envio de comentários e sugestões. Informe se encontrou algum erro nos croquis, como proteções fixas a mais ou a menos, se discorda da graduação ou sentiu falta de alguma informação.

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Utilizando o Guia
Legenda Guia de Escaladas da UrcaPara interpretar corretamente as informações contidas neste guia, leia com atenção este capítulo, que esclarece os critérios e os termos utilizados.

Representação gráfica das vias
As vias estão agrupadas em relação à montanha ou falésia onde se situam, e conforme a sua localização específica: face ou setor. As caminhadas de aproximação e as formas de descida estão descritas para cada uma das faces ou setor, destacando-se quando não há possibilidade de rapel na própria via.
As vias apresentam um ou mais níveis de detalhamento:
• Em croqui (ver legenda);
• Em desenho ou foto;
• Somente citação, sem re-presentação gráfica.
Na caracterização das vias é considerado como padrão uma cordada formada por dois escaladores com uma corda, em única, de 60 metros. É possível escalar a grande maioria das vias da Urca com uma corda de 50 metros. Adotamos a corda de 60 metros por facilitar o rapel e torná-lo mais seguro em alguns casos. Também é tomado como padrão, por ser maioria, as vias com proteções fixas (grampos) em paredes positivas. Qualquer escalada que fuja deste padrão é mencionada. Por exemplo: escalada negativa, escalada em fenda e proteção móvel. Quanto aos móveis, para os stoppers, “micro” significa os números 1 e 2; “pequenos” são os números de 3 a 6; “médios” do número 7 ao 10; e “grandes” do 11 ao 13. Estes tamanhos são baseado num jogo de stoppers Black Diamond. Para os friends nos baseamos nos Camalots, também da Black Diamond. Quando escrevemos “2x .75 ao 2”, significa dois jogos do número .75 ao número 2. Veja na página 8 uma tabela comparativa entre os diversos fabricantes de friends.
Nos croquis, as paradas são apenas sugestões. Sabemos que em alguns casos, pode-se emendar duas enfiadas e fazer apenas uma parada, em outros pode ser feito o contrário. Os grampos marcados nos croquis foram os que encontramos na época da elaboração da quarta edição (de fevereiro de 2009 a abril de 2010). Grau de ExposiçãoAlguns destes croquis podem conter grampos que não são originais da via e, portanto, podem vir a ser retirados. Atenção também deve ser dada às vias com fendas grampeadas, que podem vir a ser desequipadas para ser protegidas por equipamento móvel, seguindo a tendência evolutiva da escalada. Ainda com relação à grampeação, sempre que tivermos informações sobre grampos em mau estado ou ausentes informaremos em www.companhiadaescalada.com.br. Se você sabe de algum caso por favor nos escreva: flaviodaflon@companhiadaescalada.com.br.
Nos croquis estão incluídos os equipamentos utilizados na progressão, costuras e móveis - quando necessários. Não foi incluído o equipamento individual, nem para montagem de paradas, nem a corda, a não ser quando forem necessárias duas cordas. Quando consta nos croquis fitas longas, entenda-se anéis de fita de 60 a 120 centímetros. Outras informações complementares são fornecidas quando há necessidade, como por exemploExemplo Graduação, na ocorrência de casas de marimbondos ou blocos soltos.
Ao lado do nome das vias pode haver uma, duas ou três estrelas, de acordo com a popularidade e interesse da mesma. Esta classificação é setorizada, o que significa que uma via três estrelas num setor poderia receber menos estrelas em outro.
Lembre-se de levar lanterna para as escaladas mais longas ou iniciadas à tarde. Imprevistos acontecem e você pode demorar mais do que imagina. Um celular com carga suficiente também pode ser útil em caso de emergência. O telefone dos Duração da Escaladabombeiros é 193.
Preste atenção às condições do tempo, em especial no verão, quando no final da tarde são comuns tempestades, inclusive elétricas. No inverno, não esqueça também que algumas vias estarão na sombra, ou que o dia pode estar nublado e com vento, podendo fazer muito frio. Por isso leve pelo menos o anorak. E nunca esqueça o capacete.

Graduação
A graduação conferida para a escalada em livre se refere a condição de ser guiada à vista (sem conhecimento prévio da via), e sem a utilização de ponto de apoio artificial, como grampos e proteções móveis, para progressão ou mesmo para descanso. A continuidade numa escalada influi na graduação.
A graduação da via é representada por dois números, onde o primeiro (em arábico) refere-se à graduação geral da escalada e o segundo (em romano), ao grau do lance mais difícil da mesma. A estes dois números são agregadas as informa-ções correspondentes às passagens em artificial, caso existam. Quando as passagens em artificial já foram guiadas em livre, é acrescido, após uma barra, o grau do lance em livre. Ex.: 5° VIsup (A1/VIIc).
Além destes dados, são também informadas a duração e a exposição da escalada, de acordo com os quadros desta página. O tempo estimado para a realização da escalada leva em consideração uma cordada entrosada, que tenha prática nas técnicas exigidas e que tenha segurança no grau da via. Nesta estimativa, não foi contabilizado o tempo consumido na caminhada até a base, na organização do equipamento, no rapel e na caminhada de volta. Lembre-se que a caminhada e a organização podem consumir mais de uma hora. Do mesmo modo, algumas cordadas possuem um ritmo muito mais lento, em especial as com iniciantes e as cordadas de três. Considere isto na seleção da via e do horário escolhido para a escalada.
Quando a via possui uma só enfiada, é dado somente o grau do lance mais difícil (em romano). A divisão em a, b e c inicia-se somente a partir do VII grau. Abaixo disso, é utilizado o sup, de superior.
A graduação brasileira teve sua origem na graduação da União Internacional das Associações de Alpinismo (UIAA) e foi, através dos anos, sendo adaptada pelos escaladores locais até atingir sua forma atual. Ela foi rediscutida no 1º Seminário de Sistemas de Graduação, que aconteceu no Rio de Janeiro, em 1999. As recomendações deste seminário, com relação à graduação, foram adotadas pela Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (FEMERJ) e utilizadas neste guia, com exceção para a graduação de duração e exposição.
Os graus atribuídos às vias no guia são os usualmente utilizados pelos escaladores locais. Evidentemente, também foi tomado como base o Catálogo de Escaladas do Estado do Rio de Janeiro (André Ilha e Lúcia Duarte, 1984) que, por sua vez, foi elaborado a partir da lista de conquistas conhecidas pela antiga Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro (1975).
A graduação para a escalada artificial segue a classificação internacional: A0, A1, A2, A2+, A3, A3+, A4, A4+, A5. Além de ‘C’ para vias ferratas - equipadas com cabo de aço.
Os graus conferidos às vias podem ser objeto de algumas discussões entre os escaladores. Mas estas, apesar de pertinentes, não deverão alterar significativamente os graus aqui propostos. Agarras quebradas podem fazer uma grande diferença, neste caso atualizações quando observadas serão informadas em www.companhiadaescalada.com.br.
Vale a pena lembrar que o escalador que não está acostumado a escalar em aderência, fendas, chaminés ou vias negativas, tem a tendência a achar o grau da via muito mais alto. Mesmo uma via que esteja no seu nível pode parecer mais difícil, se possuir uma grampeação mais longa do que a qual está acostumado. Escolha bem as vias que pretende escalar de acordo com a sua experiência.

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A Urca
O maior e mais tradicional centro de escalada do Brasil é formado por três montanhas: Morro da Babilônia, Morro da Urca e Pão de Açúcar. Conta também com falésias, como a Parede dos Ácidos, a Pedra do Urubu, a falésia da São Sebastião, a Pedra da Lei e a Ilha da Cotunduba, além de inúmeros boulders ao longo da Pista Cláudio Coutinho. São 315 vias e variantes e o número de lances abertos em boulders também passa dos 300. Em suas paredes de gnaisse encontram-se vias de diferentes tamanhos, níveis e estilos. Escaladas do primeiro ao décimo grau, do boulder ao bigwall, vias esportivas e vias em móvel. Prêmio extra para quem escala na Urca é contemplar a beleza da paisagem do Rio de Janeiro, como a Pedra da Gávea, o Corcovado e a Baía da Guanabara.

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Como Chegar
Em função do Pão de Açúcar, a Urca é bastante conhecida e um dos principais pontos turísticos do Rio. O acesso é fácil, com diversas linhas de ônibus: 107 Central-Urca, 511 Leblon-Urca via Copacabana (Urca-Leblon via Joquei), 512 Leblon-Urca via Joquei (Urca-Leblon via Copacabana) e a integração metrô-ônibus 511a, que sai da estação do metrô de Botafogo. Desça antes do ponto final, na Praia Vermelha, o ponto mais próximo da estação do teleférico do Pão de Açúcar. Outra opção é o ponto de ônibus no Shopping Rio Sul, distante 15 minutos à pé da Praia Vermelha. Veja o mapa abaixo.

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O clima e a melhor época para escalar
O período de maio a setembro é o melhor para se escalar no Rio de Janeiro, quando a temperatura é mais amena. O inverno é especialmente bom para se escalar nas faces voltadas para o sul. Elas permanecem na sombra praticamente o dia todo. O que é ótimo nos dias quentes, pois mesmo nesta época do ano a temperatura pode passar dos 30º C. Por outro lado, nos dias de temperatura mais baixa e com vento, as faces sul são particularmente frias, fazendo inclusive com que escaladores pouco preparados abandonem a via.
As vias de face norte, no inverno, só estarão na sombra nas primeiras horas da manhã. Mas em dias frescos escalar no sol não deve ser problema. Em dias assim também é possível escalar as vias da face leste do Pão de Açúcar pela manhã, mesmo estando no sol. Já a face oeste estará na sombra até as 10 ou 11 horas da manhã dependendo da via.
No inverno os dias são mais curtos, escurecendo entre cinco e seis da tarde. Todavia, é a estação mais seca, onde as chuvas são mais previsíveis, com a chegada de frentes frias vindas de sudoeste, na direção aproximada da Pedra da Gávea. Verifique a previsão do tempo antes de ir escalar.
O verão propicia dias mais longos, porém muito quentes e sujeitos a tempestades no final da tarde. Desta forma, é preciso escolher bem o horário e a face mais adequada para evitar o calor que pode chegar a 40°C. As melhores opções nesta época são as faces oeste e norte pela manhã e a face leste à tarde.
Nas faces oeste e norte, comece a escalar sempre bem cedo no verão, de preferência entre seis e sete da manhã, pois o sol bate na parede a partir das 10 ou 11 horas. A face leste estará na sombra após as 15 ou 16 horas. Com o horário de verão é possível escalar até às oito da noite. Verifique a previsão do tempo e fique atento a formação de nuvens ao norte, no fundo da Baía de Guanabara, pois as chuvas de verão são comuns ao final do dia e podem vir acompanhadas de descargas elétricas. Por precaução leve anoraque e lanterna.
As vias voltadas para o sul estarão praticamente o dia inteiro no sol entre dezembro e março. Se a via for curta, caso dos Coloridos no Morro da Urca, pode-se escalar no final do dia, depois das quatro ou cinco da tarde.

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Por onde começar
Para quem vai fazer o primeiro contato com as escaladas da Urca, existem alguns setores mais populares, com vias de fácil acesso e menor exposição. Estes setores são, para os escaladores iniciantes, os Coloridos no Morro da Urca, com vias entre II e IV e algumas vias do Morro da Babilônia entre III e V. Para os escaladores intermediários a sugestão é o Morro da Babilônia, as vias esportivas da face norte do Morro da Urca, o setor do Coringa na face sul do Pão de Açúcar e a face oeste também do Pão de Açúcar. Para aqueles que querem algo mais difícil, em torno do sétimo ou mais, bons locais são as vias esportivas da face norte do Morro da Urca, a face oeste e o Totem no Pão de Açúcar, além da Pedra do Urubu na Pista Cláudio Coutinho. Veja o mapa na próxima página para se localizar.

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Ética local
Para respeitarmos os conquistadores, os escaladores e o meio ambiente, é necessário tomarmos alguns cuidados, entre eles:
• Manter trilhas e montanhas limpas, trazendo sempre seu lixo de volta.
• Não molestar e nem alimentar os animais silvestres.
• Já existem acessos a todas as áreas de escalada, portanto não abra novas trilhas. Na caminhada não utilize atalhos, não arranque galhos, folhas ou flores.
• Não promova e nem participe de escaladas com um grande número de pessoas. Estas excursões causam grande impacto nas trilhas e nas vias. Aprecie o aspecto reflexivo e contemplativo do esporte, que só é possível longe da multidão.
• Durante a escalada e o rapel faça o possível para reduzir os danos sobre a vegetação. Quando houver opção, escolha sempre a descida por caminhada, pois o rapel é bastante impactante. Lembre-se que a Urca é um centro de escalada e não de rapel.
• Lembre-se que a principal regra é o mínimo impacto e escalar montanhas de forma justa. Não coloque grampos exageradamente e privilegie as proteções móveis e naturais.
• Resolva os lances naturais oferecidos pela pedra, não coloque e não cave agarras artificiais em rocha. Deixe para criar lances e vias artificiais somente em muros de escalada.
• Não altere o padrão de proteção das vias de escalada sem a autorização dos conquistadores. Se uma via foi conquistada com muitos grampos, ou com uma grampeação longa, ou ainda com proteções móveis, devemos respeitar estes estilos. Se uma via não tem segurança suficiente para o seu gosto, significa que é demasiada difícil para você. É válido lembrar que o escalador deve se preparar física, técnica e psicologicamente para as escaladas que deseja realizar.
• Certas paredes na Urca já não comportam mais vias, veja as Recomendações de Mínimo Impacto, propostas pela FEMERJ no Anexo III.
Historicamente montanhistas realizam diversas ações para a recuperação ambiental nas encostas da Urca. Com a criação do Monumento Natural dos Morros da Urca e do Pão de Açúcar, em 2006, os montanhistas assumiram formalmente a responsabilidade pela conservação ambiental das encostas, através do Termo de Cooperação Técnica entre a FEMERJ e Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Para apoiar esses e outros trabalhos a FEMERJ criou o Programa de Acesso às montanhas que tem como objetivo garantir o acesso, a conservação e o uso sustentável das montanhas (Ver anexo III).

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Morro da Babilônia
O Morro da Babilônia é a parede mais escalada do Rio de Janeiro e provavelmente do país. No inverno já foram registradas mais de 120 pessoas em um único dia. Isto se deve tanto pelo fácil acesso como pela graduação, de fácil à mediana.
Ao todo são 41 vias, a maioria delas com graduação variando entre II e VI. A parede é voltada para o norte e quase todas as vias são em agarras, com pequenos trechos em aderência e protegidas por grampos, mas há também fendas em móvel. No geral são classificadas como E2. A parede tem cerca de 150 metros de altura e as maiores vias alcançam 200 metros de extensão, com uma média de quatro enfiadas. Por se tratar de uma face com pouca vegetação, bastam poucas horas para que se possa escalar após uma chuva. Por todos esses fatores, o Babilônia é considerado uma grande escola para os que estão começando a escalar ou a guiar. O horário de entrada é normalmente entre 7h e 18h. O horário de saída é as 19h e no horáio de verão as 20h. Na recepção é necessário a apresentação de um documento de identidade com foto.

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Morro da Urca
O Morro da Urca faz parte do Monumento Natural dos Morros da Urca e do Pão de Açúcar, uma unidade de conservação municipal criada em 2006. Os dois principais setores de escalada no Morro da Urca são a Parede dos Coloridos, na face sul e as vias esportivas da face norte. Juntos somam cerca de 50 vias. Veja na foto abaixo a localização de cada um deles.
A Parede dos Coloridos tem esse nome porque suas vias tem nomes de cores. Em geral, são vias de duas ou três enfiadas com pouca inclinação, graduação entre segundo e quarto graus e lances de agarras e aderência. São muito frequentadas por quem está começando a escalar, a guiar ou apenas procurando vias de fácil acesso e que não demandem muito tempo. A face sul está descrita na página 74.
As vias esportivas da face norte são curtas, a maioria delas tem entre 15 e 60 metros. Da esquerda para a direita a parede vai ficando maior e mais vertical. Começa com vias de segundo grau e chega ao sétimo, com lances negativos. Atrai portanto desde iniciantes a escaladores esportivos. A face norte é apresentada na página 86. Há também vias longas, de até cinco enfiadas na face norte, oeste e sudoeste do Morro da Urca, porém são raramente escaladas. Algumas não são tão interessantes e na maioria dos casos o acesso é dificultado, pois começam em terrenos particulares. A exceção é a via Singra na face norte, veja na página 93.

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Pão de Açúcar
O Pão de Açúcar possui a maior quantidade e, principalmente, a maior variedade de vias, são mais de 100. Pode-se optar por escaladas em fendas - entalamento de corpo na Lagartão, entalamento de dedos e mãos na Revolta dos Gravatás ou oposição na Secundo e na Xeque-Mate; escaladas em chaminé - Stop e Gallotti; vias negativas - As Lacas Também Amam, Limiar da Loucura, Sika em Frente e Urubu à Vista; vias em micro-agarras, como na Alfredo Maciel, Ás de Espadas, Pássaros de Fogo e Cisco Kid; ou artificiais - Harmonia Sativa, Teto Ricardo Menescal e Contra-Pino. São escaladas que podem variar de uma a doze enfiadas e estes são apenas alguns exemplos entre muitas outras vias.
A face leste é a face menos vertical do Pão de Açúcar, por isso mesmo tem as vias de menor dificuldade. A maioria delas está graduada entre I e III grau. Na face leste está a via normal do Pão de Açúcar, o Costão (1º III E2). Caminho por onde subiu a primeira equipe em 1817. Apesar de mais fáceis, as vias da face leste podem ser longas e ultrapassar os 400 metros de extensão. Para escalar por lá leia a página 147.
A face sul pode ser dividida em três setores bem distintos. O primeiro deles, o setor do Coringa, possui vias técnicas em agarras pequenas e vai desde a Alfredo Maciel (6º VIIc E2 120 metros) até a Coringa (3º IIIsup E1 100 metros), passando pela Ás de Espadas (6º VIsup E1/E2 120 metros). São vias de três ou quatro enfiadas, bem protegidas, com sólidas, mas pequenas agarras e com alguns lances de aderência. O segundo setor, o Totem, é mais atlético e maior, tem até oito enfiadas e possui boa quantidade de vias negativas, além de fendas e chaminés. Uma das vias mais exigentes do Pão de Açúcar encontra-se lá, a Via do Totem (7º VIIIc A1/Xa E2 240 metros). Também não se pode esquecer da clássica Lagartão (6º VIIa A1/VIIc E2 250 metros) e da Xeque-Mate (6º VIIb E2/E3 160 metros), vias com ótimas sequências de fendas em móvel e pequenas agarras. No último setor, os Tetos, as vias são em artificial móvel. Mais informações sobre a face sul na página 115.
Na face oeste, abaixo do bondinho, existem ótimas vias para escaladores de nível médio ou avançado. A rocha é solida e a parede possui cerca de 250 metros. Lá estão a popular Via dos Italianos (5º Vsup E1/E2 260 metros), a Cavalo Louco (5º VIsup E2 270 metros), a Pássaros de Fogo (6º VIIa E2 270 metros) e a Cepi (cabo de aço), entre outras. A face oeste é descrita na página 101.
Por último a face norte, a face da Íbis, um pássaro sagrado para os antigos egípcios. Basta olhar atentamente para a parede, ao sol do meio-dia, para ver uma enorme sombra desenhando as pernas, a barriga, a asa e o pescoço do pássaro. Nesta face estão algumas das maiores vias do Pão de Açúcar como a Waldo (6º VIIa A1/VIIc E2 330 metros), a Íbis (6º VIIa A1 E2 360 metros) e a Estranha Realidade (6º VIIa E4/E5 400 metros), todas com mais de dez enfiadas. Há também a Contra-Pino (6º VIsup A3 E3 400 metros), um exigente artificial móvel e a Caixinha de Surpresa (6º VIIa E2 120 metros). Porém, a característica mais marcante da face norte é a sua rocha nem sempre sólida e o sol inclemente. A face norte está na página 165.

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Falésias e Boulders
A área de escalada da Urca também conta com boas falésias para a prática da escalada esportiva ou para a esportiva móvel e muitos boulders. Entre as vias esportivas, as mais famosas estão na Pedra do Urubu e na Parede dos Ácidos, além das já citadas face norte do Morro da Urca e Totem do Pão de Açúcar. A Pedra do Urubu e os Ácidos são berço da escalada esportiva nacional, locais de surgimento de algumas das primeiras vias de sétimo, oitavo, nono e décimo grau do país.

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Parede dos Ácidos
A Parede dos Ácidos, situada no lado esquerdo do Morro da Babilônia, possui 26 vias com um comprimento de até 35 metros. Ali surgiram algumas das primeiras escaladas esportivas do Brasil. A maior parte delas é de VII grau, o que não quer dizer que não existam vias de IV e V. As vias mais frequentadas são: o Ácido Clorídrico (Vsup), o Aracdônico (VIIa) e o Ácido Lático, um VIIa clássico. Alguns consideram o Ácido Lático a primeira via esportiva de importância no país, devido à extensão dos lances negativos e da dificuldade. Outras vias recomendadas são o Ácido Pitônico (IV, móvel), Lisérgico (VIsup), Úrico (VIIb), ADN (VIsup/VIIa), Nosferatus (IXb) e o Benzóico (VIIb). A prática do top rope é comum, já que na maioria das vias a maior dificuldade está nos primeiros dez metros.
Uma das características dos Ácidos é a grampeação um pouco mais longa, principalmente se compararmos com vias esportivas mais recentes abertas em outros locais. Basta lembrar que quase todas as vias foram conquistadas nos anos 80 por uma geração bastante arrojada, entre eles Alexandre Portela, André Ilha, Sérgio Poyares, Sérgio Tartari, Marcelo Braga, Marcello Ramos, entre outros. Outra característica é que, como a parede é voltada para o norte, em algumas vias ainda podem quebrar agarras, principalmente naquelas menos frequentadas. Deve-se escalar com cuidado. Por isso tudo podemos dizer que as vias nos Ácidos são fortes. Quem guia bem ali está preparado para as guiadas mais exigentes no Pão de Açúcar.
Depois que surgiram as vias esportivas da face norte do Morro da Urca, do Totem no Pão de Açúcar, Chacrinha em Copacabana, Campo Escola 2000 e Barrinha no Parque Nacional da Tijuca, os escaladores esportivos se espalharam mais, buscando negativos maiores, e os Ácidos passaram a ser menos frequentados. Tanto que a trilha para as vias mais à esquerda ou à direita da parede pode estar fechada, principalmente no verão quando a vegetação cresce rápido e a frequência diminui. Mas aqueles que forem lá terão a chance de conhecer algumas vias muito bonitas.

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Pedra do Urubu
A Pedra do Urubu tem 24 vias com dificuldade variando entre sexto e décimo grau, sendo a maioria delas de sétimo. Tem uma face negativa e as outras positivas ou verticais. Nestas últimas as vias são extremamente técnicas em micro-agarras, exigindo uma pisada precisa e muito equilíbrio. É um excelente local para treinar para vias como Lagartão, Pássaros de Fogo, Cisco Kid, Alfredo Maciel e outras.
As primeiras vias do Urubu foram abertas em artificial fixo, mas logo alguns escaladores passaram a escalá-las em livre com corda de cima. Eram Alexandre Portela, André Ilha, Paulo Macaco, Sérgio Poyares, Sérgio Tartari, Marcelo Braga, Bruno Menescal e outros. Muito mais tarde a maioria das vias foram grampeadas para serem guiadas em livre. Era o fim dos artificiais.
A pedra do Urubu recebeu grande atenção em 1987 com a visita de um dos melhores escaladores esportivos do mundo, o alemão Wolfgang Gullich. Ele equipou e encadenou a via Southern Comfort (Xa), que por muitos anos foi a via esportiva mais difícil da América do Sul.
Por estar ao lado do mar, os grampos e chapeletas sofrem muita corrosão. A manutenção das vias mais populares é feita de tempo em tempo pelos escaladores locais. De qualquer forma, verifique o estado das proteções antes de guiar qualquer uma das vias.
Pela manhã o negativo e o lado de trás estão no sol. O lado da frente está na sombra. A tarde é o contrário, porém no final do dia a face da frente volta a ficar na sombra, pelo menos a primeira metade das vias.
Um fato curioso é que a Pedra do Urubu já teve uma via com agarras artificiais, de resina, em sua face negativa. Foi aberta no final dos anos 80, numa época em que alguns escaladores acharam válido a criação de forma artificial de uma via de IXb na rocha. Ela se chamava Midnight Moon, mas era mais conhecida como Urubu de Plástico. Depois com a expansão da escalada esportiva para outros locais, da popularização dos muros de escalada e a abertura de várias vias naturais de nono grau, ou mais, percebeu-se o erro. Em 2003 ela foi inteiramente desequipada. Hoje em dia é considerado antiético cavar agarras ou utilizar agarras artificiais em rocha.

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Falésia São Sebastião
É uma pequena parede localizada entre o Pão de Açúcar e o Morro da Urca. Possui oito vias, todas no estilo esportiva móvel. São vias exigentes para se guiar, portanto é extremamente aconselhável primeiro tentá-las em top rope - há três grampos no topo e muitas árvores, pré-colocar as peças móveis e só depois guiar. O equipo necessário para escalar qualquer destas vias consiste de um jogo de stoppers, um jogo de micro-friends e outro de friends. Por ser face oeste, a melhor hora para escalar é pela manhã.

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Boulders
A principal concentração de blocos na Urca está ao redor da pista Cláudio Coutinho. Aqui eles estão divididos em dois setores de acordo com a pista: Mar e Floresta. O mapa de localização está dividido em 3 partes, da página 206 a 208. No mapa estão indicados os nomes somente dos principais boulders e lances, existem muitos outros. Quando há vários lances próximos eles foram identificados como ‘vários’. Para destacar algumas características dos boulders foram utilizadas as seguintes abreviações:
• TR - quando há um grampo no topo para top rope, apesar de a maioria deles já terem sido escalados sem corda, em puro estilo boulder;
• ES - quando houver uma via de escalada esportiva no bloco;
• EM - quando for uma via guiada no estilo esportivo móvel, em geral com pré-colocação das proteções móveis;
• HB - High-Ball, para lances realmente altos e corajosos.
• P - para projetos.
Os lances mais populares e bonitos estão marcados com uma estrela (e). Nas páginas seguintes estão as fotos de alguns desses lances. Elas ajudarão na identificação deles. Nas fotos, entre parênteses, está o número da posição dos lances no mapa de boulders. É um bom começo para quem quer conhecer os boulders da Urca e se familiarizar com a área.
No site da Companhia da Escalada estas e várias outras fotos estão disponíveis a cores, assim como vídeos. Através deles é fácil identificar exatamente cada lance.
Alguns boulders ficaram de fora da área de abrangência do mapa, são eles: o lance dos 400 metros da Pista Cláudio Coutinho; os cinco lances embaixo dos Minerais, os lances já abertos na orla da face leste do Pão de Açúcar; próximo à base da Iemanjá e os boulders e algumas esportivas móveis na laje da Ilha da Cotunduba, entre elas Caçador de Peixe (VI E3/E4), Peixe Frito (V E2/E3) e Peixe na Geladeira (IVsup E2).
Os escaladores a seguir estão entre os que mais abriram boulders na Urca: Paulo Macaco, Alexandre Portela, Sérgio Tartari, Marcelo Braga, Antônio Paulo, Nilton Campos, Hillo Santana, Ralf Côrtes, André Catuicó ‘Maluquinho’, Luciano ‘Lupa’, Gerardo Martins, Rodrigo Léo, Bernardo Cruz, Rafael, Daniel ‘Coçada’ e Cleanto Portilho.

 
   
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Criação e fotos: Flavio e Cintia Daflon. Reprodução de fotos e textos, somente com autorização prévia.