Utilizando o Guia
Para interpretar corretamente as informações contidas neste guia, leia com atenção este capítulo, que esclarece os critérios e os termos utilizados.
Representação gráfica das vias
As vias estão agrupadas em relação à montanha ou falésia onde se situam, e conforme a sua localização específica: face ou setor. As caminhadas de aproximação e as formas de descida estão descritas para cada uma das faces ou setor, destacando-se quando não há possibilidade de rapel na própria via.
As vias apresentam um ou mais níveis de detalhamento:
• Em croqui (ver legenda);
• Em desenho ou foto;
• Somente citação, sem representação gráfica.
Informações sobre as vias
Na caracterização das vias é considerado como padrão uma cordada formada por dois escaladores com uma corda, em única, de 50 metros. Também são tomadas como padrão, por serem maioria, as vias com proteções fixas (grampos) em paredes positivas. Qualquer escalada que fuja deste padrão é mencionada. Por exemplo: proteção móvel, escalada negativa e escalada em fenda. Para proteção móvel considera-se que um jogo de friends é composto por sete peças (nº 1 ao nº 4 - exemplo: friends Wild Country) e um jogo de micro-friends, por três peças (nº 00 ao nº 0,5). Quando forem necessárias peças maiores será informado. Um jogo de stoppers é composto por 10 peças.
O tempo estimado para a realização da escalada leva em consideração uma cordada entrosada e experiente, que tenha prática nas técnicas exigidas e que escale com segurança no grau da via. Nesta estimativa, não foi contabilizado o tempo consumido na caminhada até a base, na organização do equipamento, no rapel e na caminhada de volta. Lembre-se que a caminhada e a organização podem consumir mais de uma hora. Do mesmo modo, algumas cordadas possuem um ritmo muito mais lento, em especial as com iniciantes. Considere isto na seleção da via e do horário escolhido para a escalada.
Nos croquis, as paradas são apenas sugestões. Sabemos que, em alguns casos, podem-se emendar duas enfiadas e fazer apenas uma parada, ou o contrário. Os grampos marcados nos croquis foram os que encontramos na época da elaboração do guia (de dezembro de 2000 a agosto de 2004). Alguns destes croquis podem conter grampos que não são originais da via e, portanto, podem vir a ser retirados. Ainda com relação à grampeação, especial atenção deve ser dada às vias com fendas grampeadas, que podem vir a ser desequipadas para ser protegidas por equipamento móvel, seguindo a tendência evolutiva da escalada. Atualizações serão informadas em www.guiadaurca.com/floresta
Nos croquis estão incluídos os equipamentos utilizados na progressão e nas paradas. Não foi incluído o equipamento individual, nem a corda, a não ser quando forem necessárias duas cordas. Outras informações complementares são fornecidas quando há necessidade, por exemplo, na ocorrência de casas de marimbondos ou blocos soltos.
Lembre-se de levar lanterna para as escaladas mais longas ou iniciadas à tarde. Imprevistos acontecem e você pode demorar mais do que imagina.
Graduação
A graduação conferida para a escalada em livre refere-se à condição de ser guiada à vista (sem conhecimento prévio da via), e sem a utilização de ponto de apoio artificial, como grampos e proteções móveis, para progressão ou mesmo para descanso - a continuidade numa escalada influi na graduação.
A graduação da via é representada por dois números, onde o primeiro (em arábico) refere-se à graduação geral da escalada e o segundo (em romano), ao grau do lance mais difícil da mesma. A estes dois números são agregadas as informações correspondentes às passagens em artificial, caso existam. Quando as passagens em artificial já foram guiadas em livre, é acrescido, após uma barra, o grau do lance em livre. Ex.: 5° VIsup (A1/VIIc).
Além destes dados, são também informadas a duração e a exposição da escalada, de acordo com os quadros desta página.
Quando a via possui uma só enfiada, é dado somente o grau do lance mais difícil (em romano). A divisão em a, b e c inicia-se somente a partir do VII grau. Abaixo disso, é utilizado o sup, de superior.
A graduação brasileira teve sua origem na graduação da União Internacional das Associações de Alpinismo (UIAA) e foi, através dos anos, sendo adaptada pelos escaladores locais até atingir sua forma atual. Ela foi reavaliada no 1º Seminário de Sistemas de Graduação, que aconteceu no Rio de Janeiro, em 1999. As recomendações deste seminário, com relação à graduação, foram adotadas pela Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (Femerj) e utilizadas neste guia, com exceção para as graduações de duração e exposição.
Os graus atribuídos às vias no guia são os usualmente utilizados pelos escaladores locais. Evidentemente, também foi tomado como base o “Catálogo de Escaladas do Estado do Rio de Janeiro” (André Ilha e Lúcia Duarte, 1984), que, por sua vez, foi elaborado a partir da “Lista de Conquistas Conhecidas pela Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro” (1975).
A graduação para a escalada artificial segue a classificação internacional: A0, A1, A2, A2+, A3, A3+, A4, A4+, A5 (John Long e John Middendorf, 1994). Além de ‘C’ para vias ferratas - equipadas com cabo de aço.
Os graus conferidos às vias podem ser objeto de algumas discussões entre os escaladores. Mas estas, apesar de pertinentes, não deverão alterar significativamente os graus aqui propostos.
Vale a pena lembrar que o escalador que não está acostumado a escalar em aderência, fendas, chaminés ou vias negativas, tem a tendência a achar o grau da via muito mais alto. Mesmo uma via que esteja no seu nível pode parecer mais difícil, se possuir uma grampeação mais longa do que a qual está acostumado. Escolha bem as vias que pretende escalar de acordo com a sua experiência.
Voltar
O Maciço da Tijuca
Dividimos a área que este guia abrange em três zonas (veja no quadro ao lado). A Zona A, dominada pela Floresta da Tijuca, está na Serra dos Três Rios; a Zona B, na Serra da Carioca, abriga a Floresta das Paineiras; enquanto que a Zona C engloba toda o Maciço da Gávea. Estas zonas, por sua vez, fazem parte do Maciço da Tijuca, formando uma extensa área verde de relevo bastante acidentado na cidade do Rio de Janeiro. Entre os escaladores, é comum a utilização do termo genérico Floresta da Tijuca para referir as florestas do Maciço da Tijuca, daí a adoção do mesmo no título deste livro. Devido ao seu importante papel na conservação do solo e dos mananciais hídricos, o Maciço da Tijuca está, em sua quase totalidade, protegido como parque nacional desde 1967, quando foi criado o Parque Nacional da Tijuca. Esta área ganha destaque por abrigar uma das principais florestas urbanas do mundo, ocupando aproximadamente 3.200 hectares. Dentro dela, podem-se encontrar, além de caminhadas leves e pesadas, escaladas para todos os gostos: boulders, esportivas, vias tradicionais de parede, bigwalls, fendas para escalada móvel, chaminés e aderência. O parque é bastante visitado por cariocas e turistas (aberto diariamente das 8h às 17h), sendo os locais mais procurados o Corcovado, que abriga a estátua do Cristo Redentor, a Vista Chinesa e as áreas de lazer no Alto da Boa Vista.
Nas próximas páginas são apresentados um mapa geral com as três zonas, os mapas de cada zona em separado e ainda os mapas com as trilhas para as principais montanhas: Pico da Tijuca, Bico do Papagaio, Morro da Cocanha, Pedra da Gávea, Pedra Bonita, Agulhinha da Gávea e Corcovado. Eles são muito úteis para se conhecer algumas das melhores trilhas da Floresta da Tijuca, e também para os escaladores que queiram descer caminhando do cume, quando a via assim permitir. Após os mapas, não deixe de ler mais dicas na página 33 antes de se aventurar por alguma trilha ou via de escalada.
Voltar
Como chegar
Pelo seu extenso perímetro, o Maciço da Tijuca está em contato com diversos bairros da cidade do Rio de Janeiro (veja o mapa geral). Os acessos mais comuns são pelos bairros do Alto da Boa Vista, Barra da Tijuca, Santa Teresa, Cosme Velho, Laranjeiras, Humaitá, Jardim Botânico e São Conrado. O carro é a melhor opção para se aproximar das áreas de escalada, pois de ônibus, dependendo do local, é preciso caminhar até uma hora e meia ou mais. Veja na descrição de cada montanha as melhores opções de acesso.
Voltar
O clima e a melhor época para escalar
O período de maio a setembro é o melhor para se escalar na Floresta da Tijuca, quando a temperatura é mais amena e chove menos. Esta época é boa para se escalar em qualquer face e em qualquer horário. Porém, mesmo sendo inverno, nos dias mais quentes as vias das faces norte devem ser escaladas preferencialmente pela manhã. Por outro lado, não esqueça que algumas vias estão a quase 1.000 metros acima do nível do mar (a mesma altitude de Petrópolis, por exemplo) e que, na sombra ou em dias nublados, pode fazer muito frio, por isso leve pelo menos um anoraque.
No verão, é preciso escolher bem o horário e a face mais adequada para evitar o calor, que pode chegar a 40° C. Nas faces oeste e norte, é bom comecar a escalar sempre bem cedo, pois o sol bate a partir das 10 horas. Nas faces leste e sul, o sol bate praticamente o dia inteiro, mas após as 16 horas o calor é menos escaldante. Com o horário de verão, pode-se esticar o período de escalada até às 20 horas. Apesar disso, o tempo pode ser curto, em especial para as vias longas. Nesta época do ano tome cuidado também, ao final do dia, com tempestades fortes, inclusive elétricas.
Voltar
Importante
. Comece as trilhas de preferência pela manhã, pois você pode gastar duas ou três vezes mais tempo do que imagina. Lembre-se de que no inverno os dias escurecem mais cedo;
. As trilhas mais fáceis são as da Agulhinha da Gávea e Pedra Bonita, enquanto que as mais pesadas são as que levam à Pedra da Gávea e ao Corcovado;
. Lembre-se de levar lanternas para as escaladas ou caminhadas que durem um dia inteiro ou as iniciadas à tarde, para facilitar a descida ou a volta pela trilha.
. Preste muita atenção ao caminhar para não sair da trilha sem perceber. Algumas bifurcações são difíceis de identificar, levando você a sair da trilha correta;
. As trilhas principais muito freqüentadas são mais bem marcadas, com o chão bem batido. Já as trilhas secundárias muitas vezes se confundem com a mata, sendo recomendável alguma experiência prévia em trilhas para percorrê-las com segurança.
. As trilhas que indicamos neste livro para a prática da caminhada são trilhas principais, possuindo algum tipo de indicação, como setas ou placas. As mais fáceis de se orientar são as da Agulhinha da Gávea, Pedra Bonita, Pico da Tijuca e Bico do Papagaio. As trilhas do Corcovado e da Pedra da Gávea possuem alguns trechos que podem confundir os menos experientes;
. Em alguns casos os escaladores terão que passar por trilhas secundárias, quando a atenção deverá ser redobrada. Lembre-se de que a volta pode ser mais difícil do que a ida;
. Na dúvida, é melhor voltar um pouco até ter certeza de que se está na trilha certa;
. Na trilha da Pedra da Gávea há um pequeno trecho de escalada em rocha, conhecido como Carrasqueira, onde é comum pessoas sentirem dificuldade. Nestes casos, é bom estar acompanhado de alguém experiente e equipado corretamente para garantir a segurança. Ter uma corda não é garantia de segurança: é preciso saber usá-la;
. O cume de algumas montanhas terminam abruptamente em grandes paredões. Tome cuidado;
. Volte sempre por um caminho já conhecido, pois nem todas as trilhas têm saída ou são seguras.
. Ao final do livro, no Anexo 2, há uma lista de clubes de montanha na cidade do Rio de Janeiro e uma indicação de guias e instrutores profissionais, caso você não se sinta seguro para ir sem a companhia de alguém mais experiente;
. Não esqueça de levar água suficiente e algum alimento. Repelente, protetor solar e um estojo de primeiros socorros também são importantes;
. Para começar, não é preciso estar em ótima forma física, mas, se estiver, já ajuda bastante, assim como usar tênis e roupa apropriados;
. Procure um médico para informar-se sobre seu estado de saúde e para conhecer eventuais limites e restrições, como problemas cardíacos, alergias, etc.
. Em algumas montanhas, como Pedra da Gávea, Pedra Bonita, Dona Marta e Corcovado - pelo acesso do Parque Laje -, já aconteceram assaltos ou pequenos incidentes. Na Pedra da Gávea, eventualmente há patrulhamento da Guarda Municipal nos finais de semana. É recomendável informar-se com os escaladores locais ou com o Parque sobre a situação de segurança nas trilhas destas montanhas.
Voltar
Ética Local
Para respeitarmos os conquistadores, os demais escaladores e o meio ambiente, é necessário tomarmos alguns cuidados, entre eles:
• Manter trilhas e montanhas limpas, trazendo sempre o seu lixo de volta.
• Boa parte das áreas de escalada estão dentro dos limites do Parque Nacional da Tijuca, desta forma, siga as recomendações e os avisos indicados pela administração do parque (leia mais adiante).
• Já existem acessos a todas as áreas de escalada, portanto não abra novas trilhas. Na caminhada, não utilize atalhos, não arranque galhos, folhas ou flores.
• Não promova e nem participe de escaladas com um grande número de pessoas. Estas excursões causam grande impacto nas trilhas e nas vias. Aprecie o aspecto reflexivo e contemplativo do esporte, que só é possível longe da multidão.
• Durante a escalada e o rapel, faça o possível para reduzir os danos à vegetação. Quando houver opção, escolha sempre a descida por caminhada, pois o rapel é bastante impactante.
• Nunca esqueça de que a principal regra é o mínimo impacto. Não coloque grampos exageradamente e privilegie as proteções móveis.
• Resolva os lances naturais oferecidos pela pedra, não coloque e não cave agarras artificiais em rocha. Deixe para criar lances e vias artificiais somente em muros de escalada.
• Não altere o padrão de proteção das vias de escalada sem a autorização dos conquistadores. Se uma via foi conquistada com muitos grampos, ou com uma grampeação longa, ou ainda com proteções móveis, devemos respeitar estes estilos. Se uma via não tem segurança suficiente para o seu gosto, significa que é demasiada difícil para você. É válido lembrar que o escalador deve se preparar física, técnica e psicologicamente para as escaladas que deseja realizar.
• Observe que algumas paredes apresentam um histórico de distribuição de vias (distância entre as vias na parede), evite o adensamento de vias não abrindo vias muito próximo das já existentes.
Voltar
Recomendações do Parque Nacional da Tijuca
Visando garantir a preservação deste ecossistema e o conforto dos usuários do Parque, algumas atividades são terminantemente proibidas:
• Causar qualquer tipo de dano a vegetação, bem como coletar plantas, frutos, sementees, raízes e outros produtos da flora;
• Perseguir, apanhar, coletar, aprisionar ou abater animais;
• Entrar com animais domésticos ou domesticados;
• Abandonar ou despejar lixo indevidamente;
• Promover qualquer ato que possa provocar incêndios;
• Andar de bicicleta e/ou motocicletas nas trilhas;
• Usar som que pertube o ambiente;
• Colocar oferendas religiosas;
• Alimentar animais;
• Danificar placas de sinalização ou outros equipamentos do Parque;
• Retirar qualquer tipo de material do Parque, incluindo minerais, solo e matéria orgânica;
• Tomar banho nos rios da Floresta da Tijuca;
• Exceder a velocidade permitida;
• Estacionar na faixa compartilhada de pedestres e ciclistas;
• Andar no mato fora das trilhas.
O horário de funcionamento do Parque é de 8h às 17h. O Telefone da administração é 2492-2252. Para incêndios ou emergências ligue para 2491-1700 ou chame os bombeiros. Informações podem ser obtidas no centro de visitantes, na sede do parque, no Alto da Boa Vista.
Voltar
Zona A - Área do Alto da Boa Vista
Nesta primeira parte do livro estão as montanhas, paredes, falésias e boulders da Serra dos Três Rios, cujo ponto culminante é o Pico da Tijuca, com 1.022 metros de altitude. Quase toda esta área localiza-se no bairro do Alto da Boa Vista, e os seus pontos de destaque são:
1. Pico da Tijuca (1.022m)- 14 vias de até 300 metros;
2. Bico do Papagaio (989m) - quatro vias de até 60 metros;
3. Tijuca-Mirim (917m) - sete vias de até 50 metros;
4. Andaraí Maior (861m) - cinco vias de até 135 metros;
5. Campo Escola 2000 - 31 vias esportivas de até 20 metros;
6. Pedra João Antônio (908m) - uma via de oito enfiadas;
7. Pedra do Conde (821m) - duas vias de até 50 metros;
8. Taquara (814m) - seis vias de até 15 metros;
9. Moganga (554m) - quatro vias de até quatro enfiadas.
Aquelas que despertam maior interesse nos escaladores estão descritas com mais detalhes nos próximo capítulos, enquanto que as outras terão uma descrição mais breve.
Voltar
Pico da Tijuca
O Pico da Tijuca é uma das montanhas da floresta com o maior número de vias, sendo 14 ao todo. Algumas são curtas, de estilo esportivo, mas a maioria tem em média cinco enfiadas, pois a parede atinge em alguns pontos cerca de 200 metros de extensão. Suas vias têm o lance mais difícil variando de IVsup a VIIc, com trechos de aderência e abaulados. As proteções são fixas, salvo algumas exceções, e a maioria das vias é de E2. O tempo médio gasto para se fazer as vias mais longas é de três a quatro horas, isso sem contar o tempo para se chegar à base (30 minutos), a caminhada do final da via ao cume (dez minutos) e a descida (40 minutos). O melhor é começar a escalar bem cedo para evitar o calor na parede, que é voltada para o norte, e contratempos que façam a subida terminar no escuro. Leve de seis a treze costuras e várias fitas longas para diminuir o atrito em alguns pontos. As vias clássicas são P3 (3° V), Vereda Tropical (4° IVsup A1) e Magia Vertical (6° VIIa).
Voltar
Bico do Papagaio
O Bico do Papagaio é uma montanha muito freqüentada por quem caminha. Como possui poucas vias, e estas serem curtas, não é muito comum encontrar escaladores. Todavia, as vias compensam a caminhada de quase uma hora.
Por serem curtas, é possível escalar as três principais vias num mesmo dia. Elas estão concentradas nos grandes blocos do cume, variando de dez a sessenta metros, e estão graduadas de III a V. Os trechos mais difíceis estão em fendas, chaminés e aderência. Todas são grampeadas e variam de E1 a E2. Quanto ao equipamento, para todas bastam quatro costuras, duas fitas de 60 cm e alguns mosquetões avulsos. O melhor horário é à tarde, quando pode-se escalar à sombra, embora corra-se o risco de escurecer antes do esperado. Portanto, vá preparado e leve uma lanterna.
Voltar
Pico da Tijuca-Mirim
O Tijuca-Mirim é um bom lugar para quem gosta de escalar fendas. São sete vias ao todo, mas as duas mais conhecidas são a Jair Joana (VIIa) e a Primus (VIIa A1/VIIIa). São vias curtas, entre 20 e 50 metros, sendo que cinco delas, pelas suas características, exigem proteções móveis. Veja a descrição de cada via para saber o equipamento a levar. As três primeiras vias estão na sombra de manhã cedo e as demais, à tarde.
Voltar
Andaraí Maior
O Andaraí Maior possui cinco vias, duas antigas em artificial fixo e três mais recentes, em livre. Estas últimas têm recebido algumas repetições, sendo que duas têm cerca de 130 metros e dificuldades variando entre IV e VI (E1). São vias de agarras, com alguns trechos de aderência, e que podem exigir de 12 a 16 costuras, dependendo da enfiada, além de algumas fitas longas para os ziguezagues. A parede é voltada para o norte, portanto é melhor escalar cedo pela manhã.
Voltar
Campo Escola 2000 e arredores
O Campo Escola 2000 ficou bastante conhecido pela dificuldade, negatividade e qualidade de suas vias. Sua descoberta foi um avanço na escalada esportiva carioca. Mais da metade de suas 16 vias e cinco projetos estão acima de nono grau, chegando a atingir Xc - o primeiro do Brasil. As maiores vias atingem 17 metros e podem exigir até 15 costuras. Todo o bloco do Campo Escola 2000 está dentro da floresta, à sombra, tornando-se um local agradável para escalar. Nos dias quentes e úmidos, porém, travar nos abaulados pode tornar-se mais complicado. Suas vias mais freqüentadas são Zona Morta (VIIIb), Pedrita (VIIIa), Epitáfios de Ilusões (VIIc até a sexta proteção), História Sem Fim (Xb) e Frases Feitas (IXa).
Depois do 2000, surgiram outros dois setores próximos: o 2001 e a Gruta do Morcego. O 2001 é pouco freqüentado, as paredes não são tão negativas e algumas vias são bem explosivas. Já a Gruta do Morcego tem sido bastante visitada, pois suas cinco vias são mais fáceis, variando do IVsup (móvel) ao VIIb.
Em cerca de cinco minutos, a partir da Gruta Paulo e Virgínia, na Estrada Major Archer (veja o mapa da Zona A, na página 20), é possível chegar ao 2000 ou 2001. As vias da Gruta do Morcego ficam a 50 metros do 2000. Um desenho da caminhada segue abaixo. Existem outras vias interessantes espalhadas pela área, algumas aparecem no mapa abaixo. Elas estão descritas no final deste capitulo.
Voltar
Zona B - Área do Corcovado
Nesta segunda parte do livro estão as montanhas, paredes, falésias e boulders da zona do Corcovado, na Serra da Carioca. Nesta área, cujo ponto culminante é o próprio Corcovado, com 704 metros de altitude, os pontos de destaque para escalada são:
1. Corcovado (704m) - 23 vias de até 420 metros;
2. Morro Dona Marta (362m) - 25 vias de até 250 metros;
3. Paineiras - esportivas de até 20 metros;
4. Aderências do Sumaré - 11 vias de até 250 metros;
5. Primatas - boulders, esportivas e uma via de 100 metros.
Voltar
Corcovado
O Corcovado foi dividido em quatro setores: face norte, setor do K2, face sul e contraforte. O mais freqüentado deles é o setor do K2, por causa da via de mesmo nome (4º IVsup E2, 150m), que é a mais fácil de todas as que levam ao cume. A face norte, relativamente a mais curta, é pouco freqüentada e algumas de suas vias precisam ser reformadas. A face sul é a maior e mais vertical parede da cidade do Rio de Janeiro. Pela sua dificuldade, não recebe muitas repetições, mas possui algumas vias de grande qualidade. Já o contraforte foi o último setor do Corcovado a ser explorado; suas vias são basicamente de aderência e foram concluídas a partir de 2000, portanto ainda é pouco conhecido.
Voltar
Dona Marta
O Morro Dona Marta possui faces voltadas para os bairros do Cosme Velho, Laranjeiras e Botafogo, e tem ligação com o Corcovado. Existem vias em suas três faces, com predominância de aderência, podendo chegar a 250 metros de extensão. Estão graduadas entre III e VIIa e somente em alguns poucos casos é necessário levar proteções móveis. A maioria das vias é de E2, porém algumas apresentam uma grampeação mais longa, tendo às vezes apenas três proteções entre as paradas.
As faces mais procuradas são a norte, com acesso pelo Cosme Velho, e a leste, com acesso por Laranjeiras. A face sul (Botafogo) é raramente freqüentada. Em todas as faces existem favelas próximas, porém não há registro de incidentes sérios. Mesmo assim, sugere-se voltar da escalada ainda com a luz do dia.
Para quem quer conhecer a parede e repetir suas vias mais fáceis, as melhores opções são as clássicas Unicec (3º IIIsup) e a Trinta de Julho (4º Vsup), ambas na face norte, ou a La Niña (3º V), na face leste. Outras boas vias são Ney (4º VI), Segredo do Abismo (4º V) e Nitroglicerina (3º IV). Para escalar estas vias são necessárias de cinco a nove costuras. Uma manhã é suficiente para subir e descer de qualquer via. É muito raro alguém ir até o cume, onde encontra-se o Mirante Dona Marta.
Voltar
Paineiras
A Parede das Paineiras é muito utilizada para o top rope. É um local bastante freqüentado nos fins de semana, de fácil acesso, agradável mesmo no verão e próximo de uma ducha natural. É uma parede ligeiramente negativa, com possibilidades de vias entre quarto e sétimo graus.
Sua rocha é o basalto, algo raro no Rio. Suas fissuras permitem tantas vias quanto sua mente imaginar. Existe apenas uma via grampeada no local (Névoas, VI), cuja base fica um pouco abaixo à esquerda. Para as outras vias, a opção mais utilizada é montar um top rope subindo-se por uma trilha à direita. As vias variam de 15 a 20 metros de comprimento.
Também é um bom local para treino de proteções móveis. Mas deve-se ter cuidado, pois nem sempre as colocações são óbvias ou sólidas. Leve friends, stoppers e hexcentrics, com destaque para as peças grandes.
A Paineiras foi utilizada na década de 60 como treinamento para a escalada artificial. Era conhecida como Campo Escola Francisco Ibañez e ali aprendia-se a subir com o auxílio de estribos, cunhas de madeiras e pitons.
Na estrada das Paineiras existem também alguns lances de boulder, 600 metros depois da parede. Nos fins de semana e feriados a Estrada das Paineiras é fechada à passagem de carros, tornando-se uma área de lazer.
Voltar
Aderências do Sumaré
É a parede do Rio mais utilizada para a escalada em aderência. Embora seja conhecida como Aderências do Sumaré, ela está localizada na verdade na Pedra do Cão, cujo cume pode ser acessado por uma caminhada a partir da Estrada das Paineiras. As primeiras vias deste setor começaram a ser abertas em 1983, ano em que já havia um VIIc em aderência. São ao todo nove vias, com tamanhos variando de três a quatro enfiadas e graduação entre III e VIIc. Dependendo da via escolhida serão necessárias de cinco a oito costuras. Não é demais comentar que vale a pena começar pelas vias mais fáceis, para se acostumar com o tipo de escalada e com a grampeação, entre E2 e E3. O tempo para se repetir qualquer uma das vias deve ficar entre uma e três horas, sendo o rapel sempre utilizado. As vias mais freqüentadas são Ladeirão (3º III), Madame Satã (4º V), Insustentável Leveza do Ser (6º VIIa), Fogo Interior (6º VIIa) e Jardins Suspensos da Babilônia (7º VIIc).
Voltar
Primatas
O local conhecido como Primatas é uma área de boulders e falésias localizada no entorno da Cachoeira do Primata, no vale do Rio Algodão, que desce pela encosta das Paineiras. Desde o início da trilha alguns boulders já são visíveis, mas, para a maioria deles, é preciso sair da trilha principal e caminhar em meio à floresta. Após cerca de 15 minutos, chega-se à Gruta dos Primatas, local onde estão as principais vias grampeadas. A Cachoeira do Primata fica uns 10 minutos mais adiante. As informações abaixo foram retiradas do artigo escrito por André Kühner para a revista Fator2 (número 17). Outra fonte de consulta pode ser o site: www.geocities.com/primatasonline dos escaladores André Kühner e Nilton Campos.
Voltar
Zona C - Área da Pedra da Gávea
Aqui estão as montanhas, paredes e falésias localizadas no maciço da Pedra da Gávea, cujo ponto culminante é a própria Pedra da Gávea, com 842 metros. Os pontos de destaque para a escalada nesta área são:
1. Pedra da Gávea (842m) - 23 vias de até 470 metros;
2. Agulhinha da Gávea (610m) - 13 vias de até 170 metros;
3. Pedra Bonita (696m) - nove vias de até 155 metros;
4. Pico dos Quatro (678m) - quatro vias de até 350 metros;
5. Falésia da Barrinha - 19 vias esportiva de até 30 metros;
6. Falésia da Asa Delta - nove vias esportivas de até 30 metros;
São três os bairros que cercam a Zona C: São Conrado, Barra da Tijuca e Alto da Boa Vista. Dependendo da montanha ou parede escolhida o acesso será por um destes bairros. A caminhada também varia bastante em função da escolha, podendo levar de cinco minutos a uma hora e meia.
O mapa na página 24 mostra as estradas que dão acesso à área da Pedra da Gávea, os pontos onde se iniciam as caminhadas, um traçado aproximado das trilhas e os principais cumes e paredes.

Voltar
Pedra da Gávea
A Pedra da Gávea possui três setores bem distintos para a escalada. Na Cabeça do Imperador, a única via realmente freqüentada é a famosa Passagem dos Olhos. Uma via fácil (3º IIIsup), mas que impressiona pela altura e por ser praticamente toda em horizontal. Ela é quase toda em agarras, fora alguns lances de aderência e oposição na primeira enfiada, e é toda grampeada.
Na face leste estão as maiores vias, com até 470 metros. As clássicas desta parede são a C-100 e a Aquarius, vias entre V e VIsup e que exigem um bom domínio de paredes. Elas possuem trechos de agarras, aderência e fendas. Dependendo da via, móveis são necessários.
No setor da Chaminé Elly, fora a própria chaminé existem mais três vias que recebem repetições esporádicas: Bip-Bip (2º III), Pepita de Perita (5º VI) e Ecologia (7º VIIb). São vias que não são muito demoradas e podem ser feitas numa manhã. A rocha é parecida com a do Pico da Tijuca, com abaulados, aderência e agarras. Calcule aproximadamente o tempo de escalada para o setor da Chaminé Elly em quatro horas, ida e volta. Para a Cabeça do Imperador, reserve de seis a oito horas e, para a face leste, um dia inteiro. Leia mais adiante como chegar a cada via e o que levar. Não esqueça de bastante água, capacete, anoraque e lanterna.

Voltar
Agulhinha da Gávea
A Agulhinha possui nove vias e algumas variantes. São vias em agarras e aderência, com trechos em oposição ou chaminé, e equipadas com proteções fixas. Os graus variam de III a VIIa, sendo necessárias de três a treze costuras e quatro fitas longas, dependendo da via escolhida. As maiores vias têm de quatro a cinco enfiadas, sendo possível ir ao cume e voltar em quatro horas. As vias mais freqüentadas são Jorge de Castro (2º III), Zaib (5º Vsup A1), 15 de Novembro (1º III) e Olimpo (3º IV). Para localizá-las, veja a descrição da caminhada de aproximação mais adiante, além das fotos. Para descer, basta seguir a trilha normal que leva ao cume.
Voltar
Pedra Bonita
Atualmente o melhor local para se escalar na Pedra Bonita é a via Lionel Terray, na face sul. É uma via bastante variada com cinco enfiadas em diedros, aderência e artificial. Está graduada em 3º IIIsup A1 e, apesar de não ser obrigatório, podem-se usar móveis em todas as enfiadas. Fora isso, onze costuras e três fitas longas são o suficiente. É melhor começar a escalar bem cedo, principalmente no verão, lembrando que o trajeto total de ida e volta pode levar até seis horas. Sem dúvida, a melhor maneira de descer é pela caminhada normal (veja o mapa da caminhada na página 30).
Existem algumas vias na face oeste da Pedra Bonita, num contraforte conhecido como Pedra Agassiz, e também na face leste. Porém, elas estão sem repetição há muito tempo e algumas precisam de regrampeação. Leia mais a respeito adiante.
Voltar
Pico dos Quatro
O Pico dos Quatro é um contraforte da Pedra da Gávea e fica espremido entre ela e o mar. Sua parede tem cerca de 300 metros e é voltada para o sul, o que a torna agradável para escalar no inverno. Suas três vias ainda são pouco freqüentadas, pois são bastante exigentes. Elas são muito diferentes entre si, por isso leia abaixo a descrição de cada uma.
Voltar
Barrinha
A Barrinha é hoje em dia a falésia carioca mais procurada pelos escaladores de ponta. Ela tem as qualidades de uma boa parede esportiva: agarras contínuas, parede negativa e altura, chegando a ter vias de 30 metros. São ao todo 19 vias, além de alguns projetos e muitas variantes. Algumas são de VII e VIII, mas a maioria é de IX ou X. Há também um possível XIa, que seria o primeiro do País. Dependendo da via, são necessárias 16 costuras e uma corda de 60 metros, para o caso de se montar um top rope. As vias mais procuradas são Espetinho (IXa), Filezão (IXc), Crux com Certeza (IXb), Filé com Certeza (IXa), Abobrinha (VIIIc) e Lágrimas de Sangue (Xb).
Voltar
Falésia da Asa Delta
A falésia da Asa Delta lembra um pouco a Barrinha, só que com um número menor de vias e uma graduação mais acessível, do VIIa ao IXb. A maior parte das vias tem 25 metros e com 15 costuras é possível entrar em qualquer uma delas. As vias mais freqüentadas são Briefing (VIIa), Perdidos no Espaço (VIIb), Teto Preto (VIIIb) e Cumulus Nimbus (VIIIc). Algumas vias tiveram uma única repetição e precisam ter seus graus confirmados, portanto, os graus aqui divulgados podem ser alterados no futuro. Algumas vias estão atualmente com os grampos corroídos. |
|