No topo do mundo
No extremo oposto da escalada esportiva, o Brasil chegou ao cume do monte Everest (8.848m), em 14 de maio de 1995, com o teresopolitano Mozart Catão e o paranaense Waldemar Niclevicz, que utilizaram oxigênio engarrafado e subiram pela face norte. Em 1998, Catão, juntamente com Othon Leonard e Alexandre de Oliveira, foi vítima de uma avalanche na face sul do Aconcágua (6.959m), no que é ainda hoje a maior tragédia envolvendo brasileiros numa alta montanha. Em 2006, a paulista Ana Elisa Boscarioli, tornou-se a primeira brasileira a chegar ao ponto mais alto da terra, escalando pela crista sudeste e também usando oxigênio suplementar.
O grande desafio para os brasileiros atualmente em alta montanha é fazer cumes de 8.000 metros sem oxigênio engarrafado. Em 2006, Vitor Negretti e Rodrigo Rainieri, primeiros brasileiros a escalar com sucesso a perigosa face sul do Aconcágua, tentaram o Everest sem oxigênio. Vitor chegou ao cume, mas faleceu durante a descida, provavelmente vítima de um edema. O casal Paulo e Helena Coelho tenta o Everest sem oxigênio já há alguns anos, tendo já chegado à altitude de 8.400m.
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| Allan Rodrigues, em dois momentos na via Mr. Bill, Xc, (Barrinha, Rio de Janeiro). Foto Rodrigo Gaúcho. |
Grandes vias
A escalada esportiva refletiu-se também em nossas montanhas. No início dos anos 1990 foram abertas três vias de parede no Rio de Janeiro com dificuldades que antes só eram encontradas em blocos e falésias. Uma delas foi a Barriga do Pássaro (IXb), uma variante entre a Caixinha de Surpresa e o Waldo, no meio da face norte do Pão de Açúcar. Esta via foi aberta por Ralf Côrtes, Luis Cláudio “Pita” e Márcio Lozada, sendo encadeada pela primeira vez após alguns anos. Depois Alexandre Portela, Luis Claúdio Pita e Ralf Côrtes abriram a via A Um Passo do Espaço (VIIIc), no Totem do Pão de Açúcar. Da base ao cume, passando pelas vias As Lacas Também Amam e Revolta dos Gravatás, são pelo menos cinco enfiadas, num total de 240 metros, graduadas em sua maior parte em VIIc, sendo a última VIIIc em aresta. Já no Corcovado, Alexandre Portela, Luis Cláudio “Pita”, Marco Vidom e Sérgio Tartari abriram a Atalho do Diabo, trabalhando cada enfiada até a via sair toda em livre. São cerca de 300 metros, com uma enfiada de VIIIa, duas de VIIIc, uma de Xa e as demais na casa do sétimo grau. A via ainda aguarda ser encadeada da base ao cume em um único dia. “Pita” chegou próximo disso, escalando-a com apenas uma queda. A enfiada de Xa não foi encadeada guiando até agora. Ainda hoje esta via é um desafio para as novas gerações.
A escalada tradicional não só não desapareceu como voltou com força total na virada do século. Até o ano 2000, as maiores vias do Brasil tinham cerca de 700 metros de extensão. Num período relativamente curto, de 2000 a 2002, foram conquista das nada menos do que oito vias com mais de 800 metros. São elas:
- Vai Mas Não Cai Não (6º VIIa), com 1.260m, na Pedra Riscada, Ataléia, MG, conquistada por Breno Azevedo, Chander Silva, Leandro Oliveira, Márcio Bortolusso e Oscar Andres.
- Maria Nebulosa (3º V), com 1.040m, na Maria Comprida, em Petrópolis, RJ, conquistada por Alex Ribeiro, Jorge Fernandes, Pedro Miranda e Rafael Wojcik.
- O Céu é o Limite (7º VIIb), com 950m, no Morro dos Cabritos, em Teresópolis, RJ, conquistada por Antonio Paulo Faria, Daniel Bonella Guimarães e Renato Estrella.
- Xenólitos Perdidos do Imenso Monolito (7º VIIa), com 900m, no Escalavrado, em Teresópolis, RJ, conquistada por Miguel Monteza, Guilherme Fonseca e Patricia Duffles.
- Domínio das Sombras (V A3), com 830m, na Pedra da Maria Comprida, em Teresópolis, RJ, conquistada por Alex Ribeiro, Ildinei de Oliveira e Leandro Siqueira.
- Face Norte do Morro dos Cabritos (6º VIIb A1), com 840m, em Teresópolis, RJ, conquistada por André Ilha, Flavio Wasniewski, Guilherme Condé e Paulo Chaves.
- Face Oeste da Pedra Riscada (7º VIIA A2+), com 850m, em Ataléia, MG, conquistada por Eduardo Vianna e Emerson Azeredo.
- Abuso (7º VIIa A2+), com 800m, no Escalavrado, em Guapimirim, RJ, conquistada por Alexandre Siqueira, Guilherme Fonseca, Michel Cipolati e Miguel Monteza.
Com novas paredes sendo descobertas, principalmente, no Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia, o potencial para novas vias é imenso.
(continua...) |
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