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Escalavrado, Dedo de Nossa Senhora, Dedo de Deus e Cabeça de Peixe (Serra dos Órgãos). Foto dos autores.A Serra dos Órgãos
No Brasil, na década de 1930, o grande palco para os escaladores foram as belas montanhas da Serra dos Órgãos, na região serrana do Rio de Janeiro. Sobre esse período, Waldecy Lucena, no livro “História do Montanhismo no Rio de Janeiro” (Editora Publit), escreveu: “Os anos 1930 foram gloriosos em termos de aprendizado e novas conquistas. Passada a fase de amadurecimento, que se deu nos anos 1920, os excursionistas, principalmente do Ceb, deixaram para trás as montanhas de ascensão mais fácil e passaram a explorar as mais ousadas”.A via normal do Nariz do Frade (Serra dos Órgãos, Teresópolis). Foto Antonio Paulo.

Em 1931, o Escalavrado e o Cabeça de Peixe foram subidos pela primeira vez e, no ano seguinte, foi aberta a Travessia Petrópolis-Teresópolis. Em 1933, o Nariz do Frade foi escalado por teresopolitanos e, em 1934, o casal Wilfred e Sylvia Bendy chegaram pela primeira vez ao topo do Dedo de Nossa Senhora. Também em 1931, após várias tentativas, foi realizada, 19 anos depois, a primeira repetição do Dedo de Deus, por Richard Brackmann, Otto Hartmann e Karl Siegel. A foto deles no cume foi estampada na primeira página do jornal O Globo, e não deixa dúvidas quanto ao êxito da empreitada.

No início da década de 1930 também foram conquistados o Santo Antônio, São João, São Pedro e Garrafão, todos na Serra dos Órgãos, e a Maria Comprida, em Araras (Petrópolis). Nestas últimas montanhas nota-se a participação de Emerico Ungar, o primeiro grande desbravador da Serra dos Órgãos. Pelos nomes dos montanhistas de então percebe-se que havia um predomínio de estrangeiros, principalmente alemães e austríacos. Eles viviam no Brasil, mas já traziam de seus países noções de escalada e o amor pelas montanhas. Entre eles, o de maior destaque na época foi Richard Willy Brackmann, responsável pela primeira repetição do Dedo de Deus e por 32 primazias e conquistas, incluindo inúmeras montanhas em Itatiaia, além do Cabeça de Peixe e dos Picos Menor e Médio de Salinas, em Nova Friburgo.

Logo também surgiram novos clubes, como Petropolitano, Friburguense, Teresopolitano e o Centro Excursionista Rio de Janeiro (Cerj), que, no mesmo ano de sua fundação, 1939, criou a primeira escola técnica de guias do País.

A Agulha do Diabo
Na década de 1940 as coisas não mudaram muito, apenas pelas tentativas de montanhas ainda mais difíceis e complexas do que as de antes. O símbolo desta década, pela dificuldade que representava na época, é a conquista da Agulha do Diabo, em 1940. Seu cume só foi pisado depois de dois anos de investidas e de 26 grampos batidos pelos conquistadores, os brasileiros Giuseppe Toselli, Almy Ulissea e Roberto Menezes de Oliveira, o italiano Raul Fioratti e o alemão Günther Bucheister, todos membros do Ceb. O equipamento utilizado e a técnica de conquista eram os mesmos dos primórdios. A rocha lisa era perfurada por dias, içando-se em seguida pesados troncos e cabos de aço.

Pico Maior,onde fica a via Sylvio Mendes. Foto dos autores.   A Agulha do Diabo (Serra dos Órgãos, Teresópolis). Foto dos autores.

No centro da parade da face sul do Corcovado está a Chaminé Rio de Janeiro. Foto dos autores.Em 1944, foi realizada uma outra importante conquista, a chaminé Stop, por Sylvio Mendes, um escalador à frente de seu tempo, e os irmãos Guido e Rolf Vergelle. Com 240 metros, foi a primeira grande via do Pão de Açúcar e a segunda na montanha. Foi uma conquista rápida e com poucos grampos para os padrões da época. Sylvio Mendes também conquistou o Pico do Itabira em Cachoeiro do Itapemerim (Espírito Santo), em 1947, com cerca de 400 metros e que foi considerada durante muito tempo a via mais difícil do Brasil. Ele conquistou também o Pico Maior, em Salinas, Nova Friburgo (RJ), em 1946, junto com Índio do Brasil e Reinaldo dos Santos, (via Sylvio Mendes, com 300 metros), e a chaminé Rio de Janeiro, na face sul do Corcovado, em 1949 (350 metros), com Índio do Brasil e Reinaldo Behnken, a primeira via aberta na mais vertical parede da cidade do Rio de Janeiro. Sylvio era membro do Cerj, clube que contava com excelentes escaladores nesta época, entre eles os já citados Índio do Brasil e Reinaldo Behnken.

adeusz Hollup durante um rapel típico da época, com a corda no corpo. Foto arquivo Guido Vergelle.  

O equipamento utilizado na época: corda de sisal e botas com cardas na sola. Foto arquivo CEC/Ivan Calou.

adeusz Hollup numa repetição da Chaminé Stop (Urca, Rio de Janeiro), em 1952. Foto arquivo Guido Vergelle.

Importante também foi a conquista da face leste do Dedo de Deus, que se tornaria a via normal desta montanha. Utilizando apenas proteções naturais, pitons e cunhas de madeira, sem nenhum furo na pedra, Almy Ullysea, Antônio Taveira e Ulysses Braga, todos do Ceb, chegaram ao cume em 1944.

Em outros Estados do País a escalada técnica também se desenvolvia. No Paraná, mais precisamente no Marumbi, elas eram abertas desde 1942. A partir de 1948, com os ensinamentos de Erwin Gröger, começaram as conquistas mais ousadas, como a fenda principal no Abrolhos. Em São Paulo, a Pedra do Baú foi escalada pela primeira vez em 1940, pelos irmãos Antônio e João Teixeira de Souza. No final dos anos 1950, Domingos Giobbi, fundador do Clube Alpino Paulista (Cap), criou três campos-escola no Pico do Jaraguá, onde foram ministrados os primeiros treinamentos do clube. Em 1952, Edgar Kittelmann, Luis Gonzaga Cony e Giuseppe Gâmbaro realizaram a primeira escalada do Rio Grande do Sul, no Pico dos Gravatás, em Gravataí. (continua...)

O conjunto Marumbi, Paraná. Foto dos autores.

A Pedra do Baú (São Bento do Sapucaí, São Paulo). Foto Silvio Neto.

  A face leste do Dedo de Deus (Serra dos Órgãos). Foto dos autores.
 
   
 
 
 
 
Este texto "Uma Breve História do Montanhismo" é parte do livro Escale Melhor e com Mais Segurança, dos autores Cintia e Flavio Daflon.
Reprodução de fotos e textos, somente com autorização prévia.
 
   
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Criação e fotos: Flavio e Cintia Daflon. Reprodução de fotos e textos, somente com autorização prévia.